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Nova lei exige que pastores renunciem e gera polêmica na Nigéria

Nova lei exige que pastores renunciem e gera polêmica na Nigéria

Uma nova legislação da Nigéria exige que pastores entreguem sua liderança a um membro (que não seja seu parente), quando completarem 70 anos de idade ou 20 anos de ministério

A renúncia surpreendente de um dos maiores pastores da Nigéria tem levantado um grande debate entre os cristãos da África Ocidental sobre os méritos e limites da posse do pastor.

No final de semana passado, Enoch Adeboye renunciou a seu cargo de superintendente geral da Igreja Cristã Remida de Deus (RCCG), na Nigéria. A denominação tem um total de 5 milhões de membros e está presente em 192 nações. O pastor citou um relatório do Conselho Financeiro do país e seu recém-introduzido Código de Governança para justificar sua decisão.

A Seção 9:3 do Código estipula que os líderes ou fundadores de organizações sem fins lucrativos - incluindo igrejas e outros ministérios cristãos - devem entregar a liderança a um membro (que não seja seu parente), quando completarem 70 anos de idade ou 20 anos de liderança. Adeboye tem 74 anos e lidera sua mega-igreja desde 1981.

A lei, que é projetada para garantir a responsabilidade financeira, entrou em vigor em outubro de 2016. Se totalmente implementada, 90% dos fundadores e líderes da igreja evangélica da Nigéria serão obrigados a se afastar de seus ministérios.

Entre os pastores proeminentes afetados pela nova lei, estão David Oyedepo, do Ministério Internacional Fé Viva (1 milhão de membros); Mike Okonkwo, da Missão Evangélica Redimida (500.000 membros); Chris Oyakhilome, da Embaixada de Cristo (400.000 membros); E Sam Adeyemi, do Centro Cristão Estrela do Dia (300.000 membros). Inúmeros outros pastores com congregações menores também se uniriam à onda maciça de demissões forçadas em toda a nação.

A comunidade evangélica da Nigéria respondeu com indignação sobre a renúncia de Adeboye e a nova legislação do Conselho Financeiro do país, desencadeando acalorados debates sobre a sucessão pastoral.

Muitos condenaram os regulamentos, alegando que eles foram projetados para se intrometer nos assuntos da igreja e para encurralar os esforços de evangelismo. Mas outros elogiaram o código, dizendo que a exigência de uma sucessão pastoral corresponde melhor aos interesses das igrejas.

Efeito

Os protestos contra a ação governamental começaram dentro de 48 horas após a renúncia de Adeboye. Em meio a tanta polêmica, o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari demitiu o secretário executivo do Conselho Financeiro do país, Jim Obazee, sem dar uma justificativa formal. Ele também suspendeu a implementação do novo código financeiro "para ser melhor analisado" e substituiu a diretoria do Conselho Financeiro por novos nomeados para os cargos.

A demissão de Obazee gerou reações diversas entre os cristãos. Os que a apoiam a legislação de sucessão pastoral acusaram Buhari de desrespeitar princípios essenciais para a manutenção da paz. Os que são contra a exigência da sucessão pastoral elogiaram a atitude do presidente.

A suspensão do Código, no entanto, não foi suficiente para acabar com o debate sobre a posse e sucessão pastoral entre os crentes nigerianos.

Musa Asake, secretário-geral da Associação Cristã da Nigéria (CAN) - o maior grupo cristão da nação - disse à Christian Today que o código era "artimanha contra a Igreja".

"[O governo] não tem que interferir nos assuntos de uma igreja", disse ele. "Fazer isso tem sérias implicações. Se o tentarem, isso trará confusão e poderá desencadear uma forte agitação religiosa na nação".

Ele disse que o governo não deve ditar como as igrejas operam, desde que as igrejas não cometam crimes.

Felix Omobude, presidente da Comunidade Pentecostal da Nigéria - um dos cinco blocos da 'CAN' - também concordou que o governo não deveria se envolver com o mandato dos líderes da igreja.

Fonte: CPAD News




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